Sardas são cadeias de pequenos grãos orientados aleatoriamente que aparecem na superfície e subsuperfície de peças fundidas por solidificação direcional (DS) ou monocristal (SX). Elas são causadas por convecção termossolutal durante a solidificação. À medida que a liga solidifica, elementos mais pesados (como W, Ta, Re) são rejeitados para o líquido, criando canais densos e ricos em soluto que podem afundar e formar "penachos" convectivos. Esses penachos refundem a estrutura dendrítica, levando à recristalização localizada e à formação de sardas. A resistência a este defeito está, portanto, ligada à composição da liga e ao gradiente de densidade resultante no líquido interdendrítico.
A propensão à formação de sardas é fortemente influenciada pelo teor de elementos refratários pesados. Ligas de gerações anteriores geralmente apresentam maior resistência inerente. Ligas SX de primeira geração como PWA 1480 e CMSX-2, que não contêm rênio (Re) e possuem níveis moderados de tungstênio (W) e tântalo (Ta), têm uma janela de processamento mais ampla e menor tendência à formação de sardas. A busca por maior capacidade de temperatura levou à adição de Re em ligas de segunda geração (por exemplo, PWA 1484, CMSX-4, René N5), o que infelizmente aumentou a inversão de densidade e as tornou mais suscetíveis à formação de sardas, exigindo um controle de processo muito mais rigoroso durante a fundição por cera perdida a vácuo.
Para combater isso, ligas de gerações posteriores incorporaram estratégias de projeto para melhorar a fundibilidade. Exemplos-chave de ligas conhecidas por um melhor equilíbrio entre desempenho e resistência a sardas incluem:
CMSX-4®: Embora seja uma liga de 2ª geração contendo Re, tornou-se uma referência devido à extensa otimização de processo. Sua composição representa um compromisso cuidadosamente calibrado que permite uma produção confiável.
CMSX-10K® / CMSX-8: Essas ligas foram especificamente desenvolvidas com proporções modificadas de Ta/Re para reduzir a força motriz da instabilidade convectiva, melhorando a resistência a sardas em comparação com outras ligas de 3ª geração com alto teor de Re.
Ligas Contendo Rutênio (por exemplo, 4ª e 5ª Geração): A adição de Rutênio (Ru) em ligas como TMS-138 (4ª geração) e TMS-196 (5ª geração) não apenas melhora a estabilidade em altas temperaturas, mas também ajuda a suprimir a formação de fases topologicamente compactadas (TCP), influenciando indiretamente o caminho de solidificação para ser mais robusto contra defeitos.
Variantes com Baixo Re/Alto Ta: Algumas ligas derivadas são projetadas com menor teor de Re e maior teor de Ta para manter o desempenho enquanto reduzem significativamente a tendência à formação de sardas, tornando-as mais adequadas para componentes complexos de paredes finas em motores aerospaciais.
É fundamental notar que mesmo a liga mais resistente pode formar sardas sob condições de fundição inadequadas. A principal defesa é o controle preciso do gradiente térmico (G) e da taxa de retirada (V). Uma alta razão G/V é crucial para suprimir a convecção. Portanto, selecionar uma liga "mais tolerante" como a CMSX-4 ou uma variante especialmente projetada deve ser combinado com parâmetros otimizados de fundição SX e um projeto robusto de molde para produzir com sucesso peças sem defeitos para aplicações críticas.