A principal melhoria de qualidade vem da eliminação de defeitos internos de fabricação inerentes ao processo SLM. A rápida fusão e solidificação pode criar porosidade microscópica, vazios por falta de fusão e gás aprisionado. Esses defeitos comprometem severamente a vida à fadiga, a resistência à tração e a tenacidade à fratura. Prensagem Isotérmica a Quente (HIP) é o pós-processo crítico e não negociável que aplica alta temperatura e pressão isostática para colapsar plasticamente esses vazios internos, resultando em um material quase teoricamente denso. Isso é essencial para alcançar a integridade estrutural necessária em componentes rotativos ou altamente tensionados para aeroespacial e aviação e geração de energia.
As ligas de alta temperatura como impressas possuem uma microestrutura de não equilíbrio caracterizada por grãos colunares, microsegregação e tensões residuais significativas. Isso resulta em propriedades mecânicas anisotrópicas e desempenho subótimo. Um ciclo de tratamento térmico precisamente controlado é aplicado para: 1. Aliviar Tensões Residuais: Prevenindo distorção e iniciação prematura de trincas. 2. Homogeneizar a Estrutura: Dissolvendo fases indesejáveis e reduzindo a segregação elementar. 3. Precipitar Fases de Fortalecimento: Para ligas como Inconel 718, o envelhecimento precipita as fases γ″ e γ′, liberando a resistência à alta temperatura, fluência e fadiga para as quais a liga foi projetada. Isso transforma a microestrutura "como soldada" em uma com propriedades projetadas.
O SLM produz peças "quase forma final" com partículas de pó aderidas, rugosidade superficial e estruturas de suporte. A usinagem de pós-processamento é vital para a qualidade: • Usinagem CNC de Superliga remove suportes e alcança as dimensões críticas finais e tolerâncias em faces de vedação, furos de parafuso e interfaces de acoplamento. • Usinagem por Descarga Elétrica (EDM) pode ser usada para características intrincadas no material endurecido. • O acabamento superficial (por exemplo, usinagem por fluxo abrasivo, polimento) reduz a rugosidade (Ra), que é um iniciador primário de trincas por fadiga. Uma superfície lisa também é crucial para aplicações farmacêuticas ou aerodinâmicas e melhora a resistência à oxidação e corrosão.
Para peças que operam em ambientes extremos, o pós-processamento adiciona revestimentos funcionais que a liga base não pode fornecer. O mais significativo é um Revestimento de Barreira Térmica (TBC), uma camada cerâmica aplicada a componentes da seção quente como pás de turbina. Este revestimento isola o metal subjacente, permitindo que ele opere em temperaturas de gás muito acima de seu ponto de fusão, permitindo diretamente maior eficiência e durabilidade do motor.
O pós-processamento conclui com uma validação rigorosa, confirmando que todas as etapas anteriores melhoraram com sucesso a qualidade da peça. Técnicas avançadas de teste e análise de materiais são empregadas: • Ensaios Não Destrutivos (END): A tomografia computadorizada por raios-X verifica a integridade interna pós-HIP; a inspeção por líquido penetrante verifica defeitos superficiais. • Análise Metalográfica: Confirma a evolução adequada da microestrutura após o tratamento térmico. • Inspeção Dimensional: A verificação por MMC garante que a peça acabada atenda a todas as especificações geométricas.
Em essência, o pós-processamento não é meramente um toque final, mas uma série transformadora de etapas que converte uma "forma" impressa por SLM feita de uma liga de alta temperatura em um componente de engenharia confiável e de alto desempenho pronto para serviço crítico.